Tangará: vereador quer soluções de qualidade com privatização de rodovias na região

A concessão de rodovias estaduais à iniciativa privada está cercada de grande expectativa em Mato Grosso. A medida é avaliada a partir de vários pontos de vista, começando pela esperança de solução definitiva para as estradas no estado.

Contudo, a sociedade também encara a cobrança de pedágio como um ônus extra sobre o já pesado custo de vida em Mato Grosso, além de uma forma de reincidência tributária, na medida em que já se paga impostos como o IPVA, ICMS e FETHAB.

Em Tangará da Serra, o vereador Vagner Constantino Guimarães (popular Professor Vagner, do PSDB) afirma que a concessão precisa ser vista como uma opção positiva, já que, ao longo de décadas, os governos foram incompetentes para manter em bom estado a malha viária estadual. “É preciso cobrar resultados definitivos e de qualidade”, observa, citando a necessidade de melhorias significativas nas travessias de localidades como os distritos de Progresso, Assari, Bauxi e Currupira.

Vagner destaca, ainda, que as exigências se estendem a alguns pontos dos trechos em concessão, como na chamada ‘curva da morte’, no trecho em declive da MT-358 na Serra do Parecis. “Todos conhecem aquele ponto, onde já ocorreram tragédias em razão de erros de engenharia e de traçado”, aponta.

Segundo o vereador tucano, a Serra do Parecis é uma armadilha tanto para o motorista conhecedor do trecho como para quem nunca passou por ali. Naquele trajeto, um caminhão-carreta carregado com 40 toneladas pode se transformar numa nave da morte, sem chance de reação.

O declive é longo e acentuado. Os freios ‘ABS’ (Anti-lock Braking System, ou sistema de freio antitravamento) das carretas fabricadas a partir de 2014 e os evoluídos ‘EBS’ (Eletronic Break System, que atua eletronicamente em conjunto com o ABS) lançados mais recentemente ajudam, mas nem sempre são suficientes. “A segunda curva mais acentuada, após primeiro ‘S’ do declive, engana ao dar a impressão de que a serra está no fim. É ali o ponto de maior perigo, onde se localiza a ‘curva da morte’”, destaca Vagner, acrescentando que o embalo e o peso do cargueiro, combinados com o erro de engenharia da curva (sem disposição convexa/abaulada), tendem a projetar o veículo à direita, para fora da pista, onde um perau de 30 metros tem servido de última parada a muitos motoristas. “É preciso corrigir aquele problema, senão as tragédias continuarão a acontecer. Esta é uma bandeira já levantada e vamos exigir uma resposta definitiva”, declarou.

Garantia

Semana passada, num grupo do aplicativo whatsapp, o secretário de Estado de Infraestrutura Marcelo Duarte foi cobrado a respeito e respondeu de maneira pontual. “A rodovia deverá atender a padrões de qualidade e segurança (...) Serão investidos mais de R$ 700 milhões, sendo metade nos primeiros cinco anos e a curva da morte está inclusa nestes investimentos”, postou.

Concessão

O governo do estado publicou na edição da última quinta-feira (11) do Diário Oficial o edital de licitação para concessão de 533 km de rodovias estaduais a partir do programa ‘Pró-Estradas Concessões’. O leilão será realizado em 28 de fevereiro, na B3 – Brasil, Balcão e Bolsa (antiga BM&F Bovespa), em São Paulo.

Serão repassados três lotes à iniciativa privada pelo período de 30 anos, entre eles o trecho Itanorte-Jangada (MTs 358, 343 e 246) e Tangará-Deciolândia (MT-480). Após finalizar os procedimentos, o governo fará a assinatura dos contratos para início das operações em junho.

Fonte: Radio Pioneira

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